16 - VIVÊNCIA DE UM CRONISTA - Lourenço Diaféria


Solicitado a colaborar com este trabalho, o paulistano do bairro do Braz, Lourenço Diaféria, foi muito prestativo, respondendo sem economia de palavras e com seu modo especial, perguntas sobre a crônica e o cronista, tais como: conceituação, gênero, fontes, estrutura, redação, linguagem, estilo, crônica e jornal, leitura etc.

Considerando-se namorado fiel e persistente andarilho da Cidade de São Paulo, Diaféria observa os desvãos da cidade e seus habitantes anônimos, utilizando-os como temas preferidos de suas crônicas, publicadas na imprensa nos últimos trinta anos. Está, portanto, plenamente habilitado para discorrer sobre o assunto.]

Diaféria conceituou a crônica como um texto aberto, que se completa com a imaginação do leitor. Não afirmou, decididamente, que a crônica seja unicamente um gênero jornalístico, mas confirmou que o jornal é seu território e que ela é uma derivante do jornalismo.

Apontou que o cronista trabalha as informações de acordo com seu modo pessoal de ser e garante que um dos segredos da crônica é o seu gancho inicial. É preciso encontrar a embocadura certa, o tratamento do assunto. No seu caso particular as informações, sensações e emoções são tratadas em banho-maria, são curtidas até que, de repente, elas se transformam em inspiração ou proposta de texto

Ele acredita que a crônica necessita de uma linguagem específica, mais direta com o leitor, mais sensível, mais coloquial, mas esta linguagem varia de acordo com o mês, o dia, a hora, a estação do ano, o fígado, o humor, a disposição, o céu e o funcionamento da máquina de escrever.
Quanto ao estilo, o seu, se é que tem algum (ele o diz), é fotografar a rua, a cidade, a vida, como um lambe-lambe de praça pública. Preocupar-se com coisas e pessoas sem importância. Seu assunto são as anti-manchetes.

Diaféria pensa que a função da crônica num jornal diário é fornecer leitura amena e vender os exemplares, pois a crônica tem seus leitores. Sua leitura deve ser feita do modo que o leitor queira fazê-lo: de manhã no café, depois do almoço, à noite em casa. A crônica é um texto ágil, rápido, lépido, fugaz, um texto curto que não toma o tempo, nem enrola ninguém. É um zás.

Por fim, ele confirma que o cronista é o observador de coisas minúsculas e de coisas imensas; ambas estão na frente de todos e ninguém as vê. As repostas em prosa de Lourenço Diaféria vêm confirmar tudo o que foi exposto até agora neste trabalho.

Um comentário:

Maria Souza disse...

De fato é no jornal diário que a crônica passa a ter vida.O cronista como observador dos detalhes do cotidiano se apropria desse tempo para narrar os fatos que se apresentam, na maioria das vezes, como metáfora temporal.O poder do cronista é tão forte que ele não pode deixar "escapar" nenhum detalhe da vida corriqueira.E assim escrever seu texto.