15 - OS ESPIÕES DA VIDA - Cronistas Famosos


Os cronistas são os espiões da vida, e muitos são os bons cronistas brasileiros. Seria impossível falar de cada um. Então, nos limitamos a uns poucos no meio de tantos.

JOÃO DO RIO Consagrou-se como cronista mundano, que, ao invés de um simples registro do formal, fazia o comentário dos acontecimentos que tanto podiam ser do conhecimento público quanto da imaginação do cronista, tudo examinado pelo ângulo da recriação do real. Ele inventava personagens e dava aos seus relatos um toque ficcional. (1)

FERNANDO SABINO
Sempre voltado para a busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano, ele nos mostra que o cronista tem seu "momento de escrever" e que, apesar da pressa, característica do ofício, ele também recebe o impulso da inspiração, seleciona e pesquisa, trabalhando o texto em suas diferentes fases.

SÉRGIO PORTO
Traz a força total do humor tipicamente brasileiro expresso nas crônicas de Stanislaw Ponte Preta. Além de registrar a vida cotidiana, ele critica aquele tipo inculto que inventa palavras e expressões, criando um mundo de baboseiras (na mira, Ibrahim Sued). Influenciado por Manoel Bandeira, consciente das técnicas narrativas e dos recursos da língua, Porto recupera, através do humor, a poesia. Foi um raro criador de tipos que representam a índole do povo brasileiro, dando-lhes sempre a preferência em suas narrativas, um tanto fatídicas. (2)

LOURENÇO DIAFÉRIA
Segue outra vertente do humorismo: a precedência dos fatos sobre os personagens que os vivem, vistos com um olhar mais otimista. Consciente de que sua função é prestar atenção ao banal, ele vai costurando retalhos de informações até transformá-los em um relato verossímel, estruturado de acordo com as leis da coerência do texto, as peças ajustadas como num quebra-cabeça. Diaféria vai cumprindo o exercício da crônica como um testemunho do nosso tempo, contando as tragicomédias diárias, fazendo o leitor recuperar seu senso crítico enquanto se diverte, alcançando o que está além da banalidade. (3)

PAULO MENDES CAMPOS
É um caçador de imagens perdidas nas lembranças. Suas crônicas parecem poema em prosa tentando resgatar o tempo da infância perdida, em um jogo de analogias que envolve o leitor num somatório de emoções. Seu universo imaginário aproxima-se do real, permitindo ao leitor suportar as pressões do mundo convencional e partir para buscar novos horizontes, lembrando que ainda vale a pena viver.

CARLOS HEITOR CONY
A experiência pessoal serve como ponto de partida para o trabalho deste cronista. Do convívio com sua própria família nascem as reflexões que servem de pretexto para formar uma visão crítica do mundo. Transitando entre textos despreocupados e dramáticos, Cony demonstra claramente sua preocupação em mergulhar na alma de seus personagens para melhor compreender os mistérios do ser, aproveitando "a leveza da crônica para buscar a leveza do espírito, na imagem do amor eternamente retornando ao homem e lhe devolvendo o sentido da humanidade". (4)

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE 
Seus textos apresentam a magia da síntese, o ritmo adequado, o jogo de imagens e o fino humor que revela o cansaço da vida e sua reabilitação. Drummond sabe que a crônica também tem sua "musa", o objeto nomeado para o nosso reencontro com a essência, nosso renascer. Dessa relação ele tira o necessário distanciamento para compreender seus próprios atos, confirmando o encontro do homem com alguma coisa que esta fora dele.

VINÍCIUS DE MORAES
Apesar de considerar a "prosa como uma arte ingrata" ele mantém o equilíbrio entre o não ficcional e o ficcional, usando artimanhas peculiares. Transita entre a poesia, a prosa e a crônica usando subjetivismo como forma de apreensão do ser humano. Um artista, no sentido pleno da palavra.

RUBEN BRAGA
Dotado de uma sensibilidade especial e um lirismo reflexivo, Braga conhece a importância dos pequenos momentos que, somados, completam o quebra-cabeças da vida. Certamente capaz de produzir contos, novelas ou romances, ele não se deixou seduzir pelos chamados "gêneros nobres" e tornou-se essencialmente, cronista. Ocupa lugar de destaque na história da crônica brasileira. Pertencendo à linhagem do poeta Manuel Bandeira, de quem recebeu influência e de João do Rio, antecessor de todos os cronistas, Ruben Braga através de valores que recebeu em sua formação situa-se como um indivíduo num contexto social amplo. Ele compõe, então, um caminho claro, através do qual o prazer da leitura pode ser reencontrado, mostrando, através de um fato miúdo ou da estória inventada, a nossa própria estória. Ler Ruben Braga é encantar-se com suas palavras.

1- Sá, Jorge de. A Crônica. Ática, São Paulo, 1985, pág. 9.
2- Idem, pág. 31-37.
3- Idem, pág. 39-47.
4- Idem, pág. 64.

3 comentários:

Karina disse...

meu nome karina queria deixar um comentario de que eu adorei as cronicas do stanislaw ponte preta queria dizer que quem criou esse espasso para que as pessoas comentar e muito bom so queria agradeser por isso

Julio Seidenthal disse...

Nésia,obrigado pela clareza de suas explicações sobre os autores e suas crônicas.

kadu disse...

mto legal ^^