12 - UMA JANELA PARA O MUNDO - A Crônica e o Jornal


A crônica deve "aprofundar a notícia e deflagrar uma profunda visão das relações entre o fato e as pessoas, entre cada um de nós e o mundo em que vivemos e morremos, tornando a existência mais gratificante. Portanto o jornal nos dá notícias da vida e da morte; a crônica nos faz compreender a coexistência desses dois elementos que se opõem, mas não se excluem."(1)

Oscilando entre a reportagem e o lirismo, entre o relato impessoal e sem cor de um acontecimento e a recriação do cotidiano por meio da fantasia é exatamente dessa ambigüidade que a crônica retira suas qualidades e defeitos. Os jornais lhe conferem a missão de colocar o dia-a-dia no pequeno espaço dessa narrativa transitória, destinada a durar o tempo de uma edição.

Entretanto, por obra e arte de uma força mágica ela acaba repercutindo em cada um, ultrapassando o consumo imediato. A crônica por ser tão despretensiosa, incitante e reveladora permite ao leitor sentí-la na força de seus próprios valores, obtendo um certo destaque que lhe permite não se dissolver no contexto do jornal.

1- Sá, Jorge de. A Crônica. Ática, 1985, SP, pág. 56.
2- Diaféria, Lourenço. Depoimento- Escritor Brasileiro 81. Secretaria Municipal de Cultura, SP, 1981.

Um comentário:

Maria Souza disse...

A crônica por ser uma narrativa engloba acontecimentos referentes ao passado. Geralmente uma notícia que tenha marcado a nossa vida. O narrador, observador, num espaço de tomar "um gole de café" publica sua cronica. O leitor da vida ao texto quando reconhece que a cronica é um elemento jornalístico.